Relatório personalizado no Protheus: ADVPL, SmartView e IA
Pedido de relatório personalizado é o chamado mais comum na fila de qualquer time Protheus. O usuário quer uma coluna a mais, um filtro diferente, um total por outro critério. O analista abre o ADVPL, monta a query, formata a saída, testa, publica. Duas semanas depois chega o próximo pedido — parecido, mas não igual.
Esse ciclo tem duas saídas: acelerar a construção do relatório, ou eliminar a necessidade dele. As duas usam IA, e servem para situações diferentes.
Os três caminhos no Protheus (e quando usar cada um)
- Relatório ADVPL tradicional — o que vive no menu, roda em batch, sai em PDF ou planilha. Insubstituível quando é documento oficial, tem layout fixo ou precisa rodar agendado;
- SmartView / SmartClient — bom para quem quer montar visão sem programar, dentro da estrutura que a TOTVS oferece;
- Consulta por IA — quando a pergunta é pontual, exploratória e a resposta vale mais rápida que formatada.
O erro comum é tentar resolver tudo com um só. Relatório fiscal que vai para o contador precisa ser determinístico e auditável — não é caso de IA. Já "quanto vendi de guarda-chuva na filial 03 em março" não merece um chamado de duas semanas.
Acelerar a construção: IA escrevendo ADVPL
Para os relatórios que precisam existir de verdade, a IA reduz o tempo de construção sem tirar o desenvolvedor do controle. Ela ajuda a:
- Mapear as tabelas certas — SD1, SD2, SC5, SC6, SE1, SE2 e os campos que importam, incluindo os customizados do seu dicionário;
- Escrever a query respeitando filial, filtros de deleção lógica e os índices que existem;
- Gerar o esqueleto do fonte já no padrão do seu repositório, com cabeçalho e nomenclatura da casa;
- Documentar o que foi feito, para o próximo analista não recomeçar do zero.
É a mesma abordagem de desenvolvimento ADVPL com IA e de telas MVC mais rápidas: a IA acelera o trecho mecânico, o desenvolvedor valida a regra de negócio.
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Eliminar a necessidade: quando a pergunta vira resposta
Boa parte dos pedidos de relatório não é pedido de relatório — é pedido de uma informação. A pessoa quer saber um número, e o relatório é só o caminho que ela conhece para chegar nele.
Quando existe uma camada de consulta em linguagem natural sobre a base, esses pedidos param de virar chamado. O usuário pergunta, recebe o número com o recorte que pediu e segue. Se aquela pergunta se repetir toda semana, aí sim vale transformar em painel de KPI — que é relatório que ninguém precisa pedir.
Uma triagem simples resolve a maior parte da fila:
- Pergunta única → consulta por IA, resposta em segundos;
- Pergunta recorrente → painel ou envio automático agendado;
- Documento formal, layout fixo, valor legal → relatório ADVPL de verdade, construído com IA acelerando o desenvolvimento.
O detalhe que decide se funciona: o dicionário
IA que não conhece o seu dicionário de dados produz consulta plausível e errada — o pior tipo de erro, porque parece certo. Antes de qualquer coisa, a camada de IA precisa conhecer:
- Os campos customizados que a sua empresa criou e o que cada um significa de verdade;
- As regras de filial e compartilhamento de tabela do seu ambiente;
- Os status que importam — o que conta como venda, o que é devolução, o que é bonificação;
- Deleção lógica, para não somar registro excluído.
Sem isso, o número sai bonito e não fecha com o fechamento contábil. É o erro mais comum entre os erros de IA em ERP.
Validação antes de confiar
Todo número novo precisa passar por conferência contra fonte conhecida. O procedimento é simples: rode a consulta da IA e o relatório oficial no mesmo período, compare, e só libere o uso quando bater. Divergência encontrada nessa fase quase sempre revela regra de negócio não documentada — o que, por si só, já vale o exercício.
Por onde começar
Pegue os últimos 20 pedidos de relatório da sua fila e classifique nos três tipos acima. Na maioria das operações, boa parte cai em "pergunta única" ou "recorrente" — ou seja, não precisaria de desenvolvimento nenhum. Esse é o retorno mais rápido: parar de construir o que não precisava existir.
Perguntas frequentes
Como criar um relatório personalizado no Protheus?
Antes de programar, classifique o pedido em três tipos: pergunta única, que vira consulta por IA e é respondida em segundos; pergunta recorrente, que vira painel de KPI ou envio agendado; e documento formal com layout fixo ou valor legal, que continua sendo relatório ADVPL. Pegue os últimos 20 pedidos da sua fila e faça essa triagem. Na maioria das operações, boa parte deles não precisaria de desenvolvimento nenhum.
A IA substitui o relatório ADVPL?
Não. Relatório com layout fixo, valor legal ou execução agendada continua sendo ADVPL: relatório fiscal que vai para o contador precisa ser determinístico e auditável. O que a IA faz é acelerar a construção desses fontes, mapeando tabelas como SD1, SD2, SC5, SC6, SE1 e SE2, escrevendo a query com respeito a filial e deleção lógica e gerando o esqueleto no padrão do repositório. E elimina os pedidos que eram, na verdade, só uma pergunta.
Quando usar SmartView e quando usar consulta por IA?
São caminhos complementares. O SmartView atende quem quer montar uma visão sem programar, dentro da estrutura que a TOTVS oferece; a consulta por IA atende a pergunta pontual e exploratória, sem precisar montar nada. O erro comum é tentar resolver tudo com um caminho só.
Como garantir que o número que a IA trouxe está certo?
Rodando a consulta da IA e o relatório oficial no mesmo período e comparando o resultado antes de liberar o uso. Só libere quando bater. Divergência encontrada nessa fase quase sempre revela regra de negócio que ninguém tinha documentado, o que por si só já vale o exercício.
A IA precisa conhecer os campos customizados do meu Protheus?
Sim, é o ponto que decide se funciona. Sem o dicionário de dados da empresa (campos customizados, regras de filial e compartilhamento de tabela, os status que contam como venda, devolução ou bonificação, e a deleção lógica), a consulta sai plausível e errada, que é o pior tipo de erro, porque parece certo. O número fica bonito e não fecha com o fechamento contábil.